quarta-feira, 18 de maio de 2011

O que é escrita espelhada?



Meu filho caçula está cursando o primeiro ano do ensino fundamental - acho que é isso, esses nomes mudam sempre - e, apesar de não concordar em que as crianças iniciem os estudos um ano antes, eu e minha esposa sempre nos esforçamos em ajudá-lo  em casa nas tarefas.
Hoje, ao olhar seus cadernos, notei que algumas letras eram escritas invertidas - em espelho - e outras não. Por exemplo, na palavra ELEFANTE as letras E,L e F foram invertidas. 
Como nós, pais, também precisamos - e como - de orientação para educarmos os nossos filhos da maneira certa, busquei na Internet alguma coisa que falasse a respeito e encontrei este artigo postado num fórum de discussão no Yahoo. Espero que seja útil a você, assim como me esclareceu um pouco sobre o assunto.


O que é escrita espelhada; a criança tem dificuldade no aprendizado?


A alfabetização da criança pode deixar os pais inseguros, com a sensação de que ela está andando para trás no aprendizado. Porque o filho inventa grafias, 'come' letras - escrevendo boneca apenas com 'bnc', por exemplo -, ou inverte o desenho dos caracteres no que os educadores chamam de escrita espelhada. 


Muitos pais vêem erros nesse processo, enquanto os professores aplaudem as descobertas. 'Aprender a ler e a escrever é um processo caótico, porque a criança faz pesquisas e tentativas até entender o que as letras significam', explica Cristina Rofman, orientadora pedagógica da Escola Lourenço Castanho, de São Paulo. 


Em outras palavras, seu filho diferencia primeiro o desenho dos caracteres e depois compreende como funciona o sistema alfabético da escrita. O processo leva em geral dois anos a partir da descoberta de que marcas gráficas são feitas para ler. Então, a criança passa a 'elaborar hipóteses sobre a combinação e a distribuição das letras', explica a educadora espanhola Ana Teberosky, autora de livros sobre alfabetização e colaboradora da famosa psicóloga e pesquisadora argentina Emilia Ferrero, que nos anos 70 descobriu que a criança começa a construir a língua escrita muito antes de entrar na escola, assim como ocorre com a fala. 


Sua pesquisa deu origem ao conceito 'construtivista' de alfabetizar, adotado em escolas brasileiras e de vários outros países, que se baseia nas experiências desenvolvidas pela criança com a linguagem. Os pequenos aprendizes constroem uma verdadeira sopa de letras. 


Misturam tudo, escrevem palavras só com vogais, outras só com consoantes, apaixonam-se por uma letra e fazem questão de usá-la sempre. Também podem não admitir, por exemplo, escrever boi com três letras e formiga com sete, pois um animal grande requer muitas letras e a formiga, tão pequena, deve ser curtinha. 


Às vezes, acham impossível uma palavra ter menos do que três letras. 'Oi', no caderno de uma criança, pode surgir num rabisco enorme. 'Brigadeiro' talvez fique melhor numa combinação mais reduzida como o BIGADRO de Fabiana, 6 anos, filha da desenhista industrial Eloisa Sawaya Sallum. 


E a ortografia é uma festa: casa vira KASA e 'a galinha' é AHALINHA. Acompanhar essas tentativas 'dá nervoso', confessa a economista Carla Hanoi Bittar, mãe de Frederico, 6 anos. 'Você tem a impressão de que a criança não vai aprender nunca.' A aflição a levou a cometer enganos, como ocorre com muitos pais ansiosos de ver os filhos ler e escrever. 


Carla apagava os 'erros' cometidos pelo filho, como BOLXA (bolacha) e BORAXA (borracha). 'Não, Frederico', ela dizia, 'não é assim', e passava a borracha, soletrando para ele a grafia certa. Depois aprendeu com os professores que essa correção deve ser ponderada. 


Os pais têm de pensar no que representa esse esforço de aprendizado. 'No começo, a criança está tão aflita tentando entender a escrita do adulto que quando consegue colocar algo no papel fica absolutamente feliz', afirma a educadora Silvia Gasparian Colello, professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP). 


Aos pais mais ansiosos, a orientadora pedagógica Cristina Rofman sugere: 'Quando a criança errar, escreva em um papel à parte a palavra correta para que ela tente perceber onde errou. Soletrar não ajuda porque é uma atividade mecânica e não faz pensar na palavra', explica.

Texto Original extraído da Revista Crescer

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