quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Segundo pesquisa, brasileiros estão se alimentando pior em casa




O brasileiro está comendo mal em casa. As frutas e verduras, que deveriam corresponder a uma proporção entre 9% e 12% das calorias diárias ingeridas, representam 2,8%. Já os alimentos essencialmente calóricos (óleos e gorduras vegetais, gordura animal, açúcar de mesa e refrigerantes) atingem 28% da caloria consumida. 

Entre os 20% mais ricos, o consumo desses alimentos ultrapassa a proporção recomendada por nutricionistas, que é de 30%; a porcentagem alcança 31,8%. Os dados fazem parte do levantamento Avaliação Nutricional da Disponibilidade Domiciliar de Alimentos no Brasil, feito com base na Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) em 2008-2009. 

Para chegar a essas informações, os pesquisadores avaliaram apenas os alimentos disponíveis nas residências. E ressalvam que, comparando-se com a POF anterior, de 2002-2003, a despesa com alimentação fora de casa saltou de 24,1% para 31,1% - crescimento de sete pontos percentuais. 

Entre uma pesquisa e outra, a disponibilidade média per capita de alimentos passou de 1.791 calorias ao dia para 1.611, mas a diferença pode ser atribuída à troca de alimentos consumidos fora do domicílio. 

Segundo o trabalho, o brasileiro diminuiu drasticamente a compra de itens básicos, como arroz, feijão e açúcar. De 1975 para 2009, o arroz polido teve redução de 60% na quantidade anual per capita adquirida - de 31,6 quilos para 12,6 quilos, comparando-se às regiões metropolitanas de Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Curitiba, Porto Alegre e Brasília. 

A aquisição do feijão para consumo em casa caiu de 14,7 quilos anuais para 7,4 quilos (redução de 49%). Já o açúcar caiu de 15,8 quilos para 3,3 quilos (menos 79%). O refrigerante de guaraná subiu de 1,3 quilos anuais para 6 quilos. 

Essa comparação é possível porque são levados em conta dados do Estudo Nacional de Despesa Familiar (1974/1975). Comparações com POFs mais recentes mostram que essa queda se acentuou mais recentemente. De 2002/2003 para 2008/2009, a aquisição anual de arroz polido caiu 40,5%, a de feijão, 26,4%, e a aquisição do açúcar refinado, 48,3%.





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